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POLÍCIA CORRUPTA – Policiais acusados de extorsão investigavam envolvimento de delegado em assalto milionário em RR

3 fev 2013 | Comentários

Imagem: corrupcaodapolicia.blogspot.com

A corrupção tomou de conta das instituições públicas do Estado de Roraima, antes tidas como confiáveis e defensoras da ordem, da legalidade e da Justiça. Além dos casos já batidos denunciados contra políticos detentores de cargos eletivos no Executivo e Legislativo, assim como do Judiciário que também é alvo de investigações sobre supostos casos de desvio de conduta, agora surge a figura do policial – civil e militar – corrupto.

O assunto foi objeto de ampla matéria da Folha de Boa Vista, edição da última quinta-feira (31/01), segundo a qual o ano de 2012 registrou significativo aumento no número de denúncias graves nas corregedorias das polícias Civil (PCRR) e Militar (PM) de Roraima, em comparação com 2011.

“No ano retrasado foram suspensos apenas dois policiais civis. No ano seguinte, a polícia suspendeu seis. Em 2011, foram seis exonerados, contra quatro no ano passado. Cidadãos registraram, em 2011, o total de 90 boletins contra policiais civis. No ano seguinte foram 92. A Corregedoria abriu nove inquéritos em 2011 e nove também em 2012”, informa a Folha (leia a matéria completa clicando AQUI).

O FatoReal vem denunciando, desde as eleições de 2010, o uso da força policial estadual em favor da corrupção, principalmente eleitoral. Policiais civis – inclusive delegados – e militares de alto coturno participaram ativamente do maior esquema de compra de votos que o Brasil já teve conhecimento, com vistas à reeleição do governador Anchieta Júnior (PSDB) em 2010.

Em outro caso recente, diz a Folha, cinco policiais civis que estavam sob investigação da Corregedoria, acusados dos crimes de extorsão mediante tortura e cárcere privado, tiveram suas prisões preventivas decretadas este mês pelo juiz da 2ª Vara Criminal, a pedido do Ministério Público de Roraima (MPRR).

Mente criminosa

Mas o caso desses cinco policiais pode render. De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo FatoReal, quatro desses cinco policiais ‘encrencados’ estariam investigando – já prestes a concluir o trabalho – o envolvimento de um delegado de Polícia Civil no caso do assalto à residência da então candidata a vereadora, Nira Mota (PV), ocorrido na véspera da eleição do ano passado.

Três dias após o assalto – verdadeiro valor nunca foi revelado por razões óbvias, mas calcula-se que os assaltantes teriam levado mais de R$ 1 milhão -, a Polícia prendeu três suspeitos. Entre os presos, havia dois primos – um deles menor de idade e também primo de um policial civil. “Pelo menos três ou quatro outras pessoas, inclusive de Manaus (AM), estão sendo procurados”, disse a Folha.

De acordo com a fonte do FatoReal, a mente criminosa seria o delegado. Ele teria planejado toda a ação, após receber a informação privilegiada de onde haveria quantidades vultosas de dinheiro destinado à compra de votos em favor da então candidata à Prefeitura de Boa Vista, Teresa Surita (PSDB). Na condição de aliada do governador Anchieta Júnior (PSDB), a candidata teria recebido a proteção total dos mesmos delegados da PCRR e oficiais da Polícia Militar (PMRR) corruptos, que fizeram a diferença em sua reeleição em 2010.

Esses delegados da PCRR e oficiais da PMRR teriam sido designados pelo próprio governador para ‘dar proteção’ a esses locais na véspera e no dia da eleição, mas o dito delegado foi mais ‘esperto’, planejando ‘passar a perna’ no chefe, armando um assalto a uma das residências menos seguras. A escolhida todos já sabem.

Usuário e traficante

Um traficante preso recentemente revelou o que talvez muita gente já saiba, mas não tem coragem de denunciar. Sem saber que estava sendo gravado – o áudio foi obtido com exclusividade pelo FatoReal e, no momento certo será publicado -, ele disse que um delegado o extorquiu em R$ 30 mil para deixar a esposa dele livre, após ter sido flagranteado por tráfico de drogas.

Por que acreditar em um traficante? Afinal, nunca se sabe se ele está, ou não falando a verdade. Pelo sim, pelo não, é muito pedir que a Corregedoria da PCRR ou o Ministério Público investigue o caso?

O traficante disse que ofereceu R$ 50 mil para ser liberado do flagrante, juntamente com a mulher. “Você não tem jeito, mas a tua mulher eu posso dar um jeito, por R$ 30 mil”, teria dito o delegado corrupto.

O traficante disse mais: o delegado também seria não apenas consumidor, mas um dos principais traficante de drogas do Estado. “Ele não apenas consume, mas também trafica as drogas apreendidas por ele e depois fica dando uma de certinho, de homem da lei”, acusou o traficante.

Cobradora de luxo

Outro caso de ‘desvio de função’ e abuso de autoridade foi protagonizada por uma delegada da PCRR e está registrado no Boletim de Ocorrência (BO) nº 3732/2012, no Plantão Central I, com data de 18 de maio de 2012. De acordo com o BO, o vendedor E.F.P, 23 anos foi coagido, ameaçado e extorquido, mediante a participação direta de uma delegada e mais dois agentes – todos da PCRR – devido a uma dívida oriunda de acidente de trânsito.

De acordo com o vendedor, após ter se envolvido em um acidente de trânsito, recebeu em seu local de trabalho a visita da delegada, acompanhada de dois agentes – que fizeram questão de mostrar que estavam armados -, além do cidadão a quem devia. A delegada teria questionado o motivo de ele não ter pagado o valor devido ao outro envolvido no acidente, conforme haviam combinado na ocasião.

“Por que você não pagou? Meu amigo vem aqui todos os dias e está se sentindo enganado porquê você não pagou o que deve para ele”, teria dito a delegada, em tom ameaçador.

Mesmo diante da explicação do vendedor, de que ainda não teria quitado a dívida porque estava passando por dificuldades, mas que daria ‘um jeito’ para resolver a situação, a delegada continuou em tom ameaçador, afirmando que levaria o carro dele caso não honrasse com o compromisso.

“Senhor Renê, se ele não entrar em nenhuma negociação com você, você pode me procurar na delegacia que eu tomo as providências”, teria dito a delegada, fazendo questão de manter o tom ameaçador, deixando claro que se o vendedor não pagasse a dívida do ‘amigo’ Renê, a situação não acabaria bem para ele.

Imediatamente após a saída da delegada cobradora de luxo e dos dois agentes que a companhavam, Renê retornou à loja, exigindo que o vendedor assinasse cinco notas promissórias com o suposto valor devido.

Se sentindo ameaçado pela cena que acabara de presenciar, o vendedor assinou as notas promissórias. “Não quero problemas, mas se você não assinar essas notas promissórias, vou tomar as providências cabíveis”, teria dito Renê. Todo o episódio – com imagens e áudios nítidos – foi gravado pelo sistema de segurança da loja.

Por enquanto, o FatoReal não divulgará o nome dos delegados envolvidos nos casos aqui relatados – o que poderá ser feito no momento oportuno, caso seja necessário -, não por medo, mas pelo simples fato de que a intenção é alertar a esses maus policiais que estão no caminho errado e ainda há tempo de voltar atrás, retornar aos trilhos, conforme o juramento que fizeram ao assumirem suas funções de defensores da honra, da justiça e da legalidade.

Se a corrupção já tomou de conta dos nossos representantes políticos, do Legislativo, da Justiça e agora ameaça até as forças de segurança, em quem podemos confiar?

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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Israel Dantas

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