Semana passada tentei aqui, ainda que de modo muito superficial, esboçar o perfil de um candidato razoável á prefeito – o ideal possivelmente não existe -, o mesmo valendo também para outros cargos eletivos. A ideia que, pode de ser aperfeiçoada, continua a mesma. O principal objetivo da observação é o fato de que as discussões sobre as eleições deste ano já começaram e ao final vamos ter que eleger o novo prefeito e a nova Câmara de Vereadores. Esta, senão nova, pelo menos renovada em mais da metade.
Nos dois casos, um detalhe merece muita atenção de todos nós: os candidatos que vão apresentar seus nomes, tanto para prefeito quanto para vereadores, representam de fato a sociedade? A resposta parece bem simples: poucos querem de verdade trabalhar sério; os demais representam apenas seus interesses próprios.
Bem a propósito, logo em seguida o jornalista Fernando Nogueira tratou de forma bastante oportuna – e com muita propriedade – outro aspecto bem mais importante de um processo eleitoral, que é a formação e/ou preparação dos candidatos para disputar uma eleição. Como ele destaca, os partidos teriam a ‘obrigação’ de selecionar e preparar todos os candidatos, particularmente áqueles sem nenhuma convicção ideológica, ou noção exata das reais funcões dos cargos que pretendem disputar.
Infelismente, ao que tudo indica, nem perfil nem formação são coisas que interessam num futuro imediato aos chamados grandes ou tradionais partidos brasileiros. Para todos eles, importante é que permaneça essa situação permitida pela Legislação Eleitoral, pois assim eles vão tocando o projeto do “quanto pior, melhor”.
Na verdade, pode se afirmar que isto é uma ‘instituição política’, que garante a continuidade do populismo assistencialista, que elege e reelege, evitando assim o surgimento de novas lideranças ou entrada no processo de líderes naturais, pessoas consideradas não como adversárias e sim como inimigas.
Em Roraima, isso é de uma clareza solar, a tal ponto que a vida política do Estado parece ter voltado à condição de “Capitania Hereditária”. O Donatário, senador Romero Jucá (PMDB-RR), quando não está em Brasília, ocupa o principal gabinete do Palácio Senador Hélio Campos e, de lá, distribui ordens e vontades, sobretudo acomodando a família nos principais cargos políticos do Estado e no Congresso.
Ou estou equivocado?
CÉLIO ANTUNES – jornalista e colaborador (e-mail: antunes_celio@hotmail.com)
FatoReal: Notícias, críticas, denúncias, ideias e devaneios
© Copyright 2010-2012 FATOREAL - Todos os direitos reservados!