Remídio questiona plano do Governo Federal para conter os efeitos da migração em Roraima

Remídio Monai: “Com exceção do Ministério da Defesa que apresentou ações realizadas, os demais ministérios fizeram exposição de metas que evidenciam a fragilidade na gestão do Comitê Federal” / Foto: Alice Andrade /

Na audiência pública realizada nesta terça-feira (17) na Comissão Mista da MP 820 de 2018, que dispõe sobre medidas de assistência emergencial para acolhimento de refugiados, o deputado Remídio Monai (PR) voltou a criticar a falta de uma política efetiva para resolver os efeitos da crise migratória em Roraima.

Remídio questiona os dados divulgados pelos Ministérios que compõem o Comitê Federal de Assistência Emergencial.

“Desde 2015, estamos alertando as autoridades federais sobre o agravamento da crise e do aumento do fluxo migratório. E até agora nada foi efetivamente feito. O Governo de Roraima e as prefeituras abraçaram as ações de assistência e acolhimento sem apoio do Governo Federal, a quem de fato compete à responsabilidade. O Estado não recebeu recursos para suprir a demanda na saúde, educação e segurança. O Ministério da saúde anuncia o repasse de valores e na verdade estão divulgando apenas os recursos das emendas parlamentares, que foram alocados para outros fins”, afirmou.

Para o parlamentar, as medidas apresentadas pelos representantes do corpo ministerial são apenas paliativas que não resolvem o problema.

“Com exceção do Ministério da Defesa que apresentou ações realizadas, os demais ministérios fizeram exposição de metas que evidenciam a fragilidade na gestão do Comitê Federal. A meta de interiorização apresentada, por exemplo, atinge 15 mil imigrantes até o fim do ano. Os abrigos previstos terão capacidade de acolher apenas 2600 pessoas e não existe um planejamento para atender o grande contingente de imigrantes que entram diariamente no Estado”, acrescentou o deputado.

Remídio ressaltou ainda a politização em torno da crise migratória. De acordo com o deputado existe uma questão política entre um representante do Governo Temer e a Governadora Suely Campos que atrapalha a destinação de recursos que poderiam ser empregados para amezinhar sobrecarga de áreas e serviços essenciais.

Ao finalizar sua fala, Remídio Monai defendeu a iniciativa da Governadora do Estado de Roraima que entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para o fechamento temporário da fronteira.

“Entendo essa ação como um pedido de socorro e parabenizo a iniciativa de buscar uma solução na justiça. No meu ponto de vista, o Governo Estadual teve que tomar essa medida extrema em decorrência da omissão do Executivo Federal.”

DA REDAÇÃO