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ROLO DOS MEDICAMENTOS – A verdade por trás de tudo

A saga do cidadão A.S.C., que no dia 4 de junho, depois de testemunhar crimes em série cometidos por empresas fornecedoras de medicamentos para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e com a cumplicidade de servidores da própria pasta, é um claro exemplo de como os bens públicos são tratados pelo atual Governo de Roraima. Imediatamente ele, que era contratado através de uma empresa terceirizada, foi demitido.

A.S.C. fez o óbvio: buscou a instituição de maior credibilidade, neste caso o Ministério Público Federal (MPF), para fazer a denúncia, entregando provas em áudio, vídeos e documentos que comprovariam o esquema. A autoridade do MPF garantiu que A.S.C receberia toda a segurança necessária e que o seu processo correria em segredo de justiça, sendo feito pela Polícia Federal (PF), o que lhe garantia ainda mais tranquilidade.

Por outro lado, começaram a acontecer algumas estranhas coincidências. Apesar de não ter encaminhado o material com a denúncia para a Sesau, no dia 8 de junho de 2010 o secretário de Saúde, Rodolfo Pereira, solicitou ao secretário de Segurança Pública, Eliéser Monteiro, a abertura de um inquérito investigatório “para apurar os fatos”. Ai surge outra coincidência: em um tempo recorde (um único dia), o oficio do secretário Rodolfo Pereira passou pelo secretário de Segurança Pública, pelo delegado geral e finalmente por um delegado especializado, que assinou uma portaria para a abertura do inquérito.

O mais incrível foi a análise feita por peritos da Policia Civil, também neste mesmo período de tempo. Os peritos atestaram em laudo que as fotos, imagens e documentos são verdadeiros. Mas a partir da abertura do inquérito, o denunciante A.S.C. perdeu o sossego e embora não houvesse nada que o ligasse ao fato, ele foi encontrado e convocado para prestar o depoimento.

Também por coincidência, não foram ouvidos outros nomes citados no inquérito, inclusive o dono do caminhão que transportava os medicamentos para o lixão, um empresário que há 20 anos fornece medicamentos para o Estado e que agora é candidato a suplente de senador. O caminhão também não estaria mais em Boa Vista.

Chama a atenção, ainda, o fato de durante o depoimento o delegado se preocupava mais em saber coisas pessoais do denunciante e não sobre a denúncia. A ele foi perguntado sobre onde trabalhava, por que ele teria denunciado etc.

Ao mesmo tempo em que a investigação sigilosa transcorria na PF, cópias do inquérito da Policia Civil foram espalhadas em vários órgãos públicos e pessoas ligadas ao governador Anchieta Júnior (PSDB) começaram a mandar recados indiretos para o denunciante. Um advogado amigo do governador procurou um amigo de A.S.C. e teria dito que ele estaria “entrando numa fria, uma vez que tudo indicava que a denúncia era uma farsa, uma montagem”.

Seguro de vida

Se sentindo ameaçado e inseguro, A.S.C. foi orientado a procurar a imprensa e tornar público o clima de pressão e intimidação que vinha sofrendo. O jornal Folha de Boa Vista veicula hoje uma matéria neste sentido. (Clique AQUI e leia a matéria), mas a reportagem não aborda, por exemplo, a pressa que a Policia Civil teve em abrir um inquérito e, a toque de caixa, seguir ouvindo pessoas, sendo como é de conhecimento de todos que a denúncia foi feita ao MPF e seria de se esperar que a PF já estivesse investigando o caso.

Assim levanta-se a suspeita sobre a real intenção do inquérito da Civil: investigar de fato, ou apenas construir uma versão a ser usada como “vacina”, no momento em que a investigação da PF comprovar as supostas irregularidades, se for o caso.

Coletiva

Para tentar explicar mais esse imbróglio, a Sesau convocou a imprensa para uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, às 15h, na Coordenação Geral de Assistência Farmacêutica (CGAF), antiga Dadmed. Devem participar o secretário de Saúde, Rodolfo Pereira, técnicos da CGAF, representantes da Secretaria de Segurança Pública do Estado e da empresa contratada para controle e distribuição de medicamentos.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

  • E esse o sistema governamental que vcs querem por mais quatro anos, ou vc prefere os 11 motivos para Roraima voltar a ser feliz.

  • Seria bom que houvesse mais servidores dispostos a denunciar, mas o MEDO de perder o cargo comissionado é maior, afinal para muitos faz falta.

    Ainda assim existe a pressão de fazer volume em dias de bandeirada, e quem não estiver disposto pode facilmente ser substituido.

    Com razão, alguns servidores publicos se acomodam. O fato dessa pressão e a promessa de ficar no cargo por mais 4 anos inibe a busca por profissionalismo e dá lugar ao comodismo e puxa-saquismo.

    No final quem paga o pato é o povo, com serviços publicos de pessima qualidade e servidores sem preparo para fazerem o estado andar.

    Pense nisso.

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