
Hospital enfrenta problemas há muito tempo
Negligência médica e hospitalar. Essa parece ser a explicação lógica para o auxiliar administrativo Diego Araújo Souza, 25 anos, morador do Município de Rorainópolis (sul de Roraima), que por volta de meio-dia desta terça-feira (23) perdeu sua filha cinco horas após o nascimento prematuro (de sete meses), no Hospital Estadual Santa Luzia, daquela cidade.
Diego contou ao FatoReal que sua esposa, Eliane Silva de Oliveira, 24 anos, seguia com a gestação normal até que se sentiu mal na noite desta segunda-feira (22) e foi levada por ele por volta de meia-noite ao hospital. Meia hora depois, Eliane entrou em trabalho de parto e, à 1h05 a criança nasceu, com insuficiência respiratória.
“O hospital de Rorainópolis não tem condições de atender a casos de emergência, como o da minha filha. O que não entendo é o motivo de terem esperado o dia amanhecer e somente às 6h40 da manhã é que decidiram pedir ajuda de Boa Vista. A equipe com especialista, no caso o pediatra, só chegou ao meio-dia de hoje. Meia hora depois da chegada do pediatra, a minha filha morreu, antes de ser embarcada na ambulância”, relatou Diego Souza.
Ele disse que já desconfiava de negligência do hospital e teve a certeza disso quando ouviu uma conversa entre o pediatra e a diretora da unidade. “Ouvi quando o especialista disse à doutura Ivone que caso tivessem pedido ajuda mais cedo, assim que o problema foi detectado, a criança teria mais chance de sobreviver. Quando saí da sala, minha filha estava viva, respirando, embora com dificuldade. Quando a equipe de Boa Vista chegou, me pediram para sair e 15 minutos depois ela já estava morta”, detalhou o pai.
Diego Souza disse que a esposa dele está inconsolável, porque a criança era esperada com ansiedade por toda a família. “Já temos um menino e a nossa filha competaria o casal. Agora não sabemos o que fazer. Precisamos de explicações e de um tempo para nos recuperar desse duro golpe”, lamentou.
Por tudo isso, após passar esse período de dor, Diego Souza disse que cobrará do Estado uma investigação profunda quanto ao caso e, se preciso, também acionará o Ministério Público e a Justiça.
Revolta da população
Em maio deste ano, um grupo de moradores se revoltou com a situação do Hospital Santa Luzia. Segundo os moradores, a unidade de saúde dispõe apenas de dois médicos clínicos gerais e, quando precisam de atendimento específico, os pacientes são obrigados se deslocar até a capital, Boa Vista. O hospital também convive com a falta de medicamentos básicos, de alimentação para pacientes internados e de limpeza adequada da unidade, segundo os moradores.
O FatoReal informou o caso à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), por meio de sua Assessoria de Comunicação (Ascom) e aguarda retorno sobre o assunto.
WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)
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