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SECRETÁRIO OU DITADOR? – A ordem é perseguir quem contestar

7 nov 2011 | 872 visitas | Comentários

Relutei muito em escrever este texto, mas chega um momento em que não dá mais para segurar. Talvez o internauta/leitor que acompanha o FatoReal não saiba o que vou revelar agora, neste post, mas certamente no final entenderá como funciona este Governo que, desde o mês de dezembro de 2007, vem destruindo o legado deixado pelas administrações anteriores, minando e saqueando os cofres públicos e envergonhando o povo de Roraima.

Além de tudo isso, este é o Governo mais perseguir que Roraima já teve conhecimento, até hoje. Eu tenho sido vítima de perseguição, assédio moral e ameaças há muito tempo, desde que decidi começar a denunciar o que havia, há e continuará havendo de errado, enquanto esta administração continuar no poder. Este texto mostra, com detalhes, como age apenas um secretário de Estado e seu adjunto, mas é o retrato de uma administração que já começou errada, decidiu permanecer assim e, por isso, será envergonhada no final, porque se a Justiça dos homens o fizer, certamente a de Deus não deixará barato.

Quem me conhece, sabe que sou servidor concursado, exercendo o cargo de Agente de Comunicação Social, lotado na Secretaria de Estado da Comunicação Social (Secom), sob a matrícula nº 042001133, cujo local de trabalho é o Departamento de Jornalismo da Rádio Difusora Roraima. Recentemente, respondi a um Processo Administrativo (nº 123/2011), movido contra mim pelo senhor secretário Rui de Oliveira Figueiredo, que me acusava de ‘atacar’ o Governo do Estado neste blog (www.fatoreal.blog.br), além do suposto acúmulo de cargo no período 01.05.2005 a 31.01.2011.

A Comissão Processante era presidido pelo jornalista Jailton Cordeiro. No final, apresentadas as acusações e a minha defesa, a Comissão Processante decidiu pela minha inocência, encerrando o caso. Mesmo assim, o secretário Rui Figueiredo não se contentou e as perseguições persistem. Não me resta outra alternativa, a não ser também mover uma ação no Ministério Público e na Justiça, contra o Governo do Estado, o senhor Rui Figueiredo e seu secretário adjunto, Gustavo Abreu, por perseguição, constrangimento público e assédio moral.

Não satisfeito em perseguir a pessoa do servidor público, subordinado a ele, Rui Figueiredo também usou sua influência de secretário de Estado para pedir a minha ‘cabeça’ no jornal Roraima Hoje, onde – até o final do mês de setembro – eu exercia a função de editor assistente.

A última ação covarde deste secretário, que prega a moral nas redes sociais, dizendo que nunca perseguiu ninguém, foi mandar suspender o meu vencimento de setembro, alegando que eu teria faltado ao trabalho na Rádio Roraima durante todo o mês. Após sumir com as folhas de frequência dos meses de setembro e outubro – na Secom diziam que haviam enviado à rádio e na emissora, a informação é que o documento não havia chegado – o secretário mandou pôr falta em todo o mês de setembro e nos primeiros 15 dias de outubro.

A frequência do mês de otubro sumiu e quando apareceu, os primeios 15 dias estavam marcados como "falta"

O contracheque de outubro veio 'zerado'

A suspensão do pagamento de setembro (e certamente os primeiros 15 dias de outubro, embora eu tenha trabalhado também nesse período), não me fará passar necessidades, graças a Deus. Mas me causará transtornos junto ao banco Santander (antigo Banco Real), com quem tenho obrigações a cumprir – conforme mostra o contracheque do mês de setembro abaixo –, as quais ainda terei alguns meses para quitá-las. Isso é constrangimento público, senhor secretário, pelo qual também terá que responder judicialmente.

A suspensão do pagamento causará alguns constrangimentos com o banco Santander

Para a minha precaução – já esperando ações mesquinhas como esta – arquivo no meu e-mail todos os textos que produzo, como redator, para o radiojornal da emissora. No caso do mês de setembro, realmente não trabalhei, pelo simples fato de ter entrado em acordo com o coordenador de jornalismo e o diretor da emissora, em transferir o meu período de férias de 04/07 a 02/08/2011 – conforme Portaria nº 064/2011/UGAM/SECOM, publicada no Diário Oficial do Estado de Roraima (DOU) nº 1557, de 1º de junho de 2011, pág.11 –, para o período de 05/09 a 04/10/2011.

Portanto, no mês de julho, em que eu deveria estar de férias, trabalhei todos os dias, conforme mostra a imagem abaixo – fato que pode ser comprovado pelo meu chefe imediato na Rádio Roraima, a quem devo satisfações. Mas Rui Figueiredo não quer saber da verdade. Quer apenas uma ‘brecha’ para ‘dar o troco’, ‘mostrar quem manda’. Certamente que seus olhos brilharam, quando soube que eu não havia trabalhado no mês de setembro.

A pasta "Rádio Roraima", do meu g-mail, comprova que trabalhei durante todo o mês de julho

Cabe ressaltar que, na gana de me prejudicar, o senhor secretário esquece que também tem seu ‘rabo de palha’ e se complica, cometendo equívocos que lhe sairão muito caros – a ele e ao Governo do Estado –, porque, assim como ele não compreende a minha posição, eu também não deixarei barato essas afrontas. Tenho provas suficientes para mover ações na Justiça contra esses desmandos e perseguições.

O primeiro ‘deslize’, é a abertura do próprio Processo Administrativo nº 123/2011 contra mim, que veio muito tempo depois de um Termo de Advertência, de 4 de fevereiro de 2009, em que Rui Figueiredo me acusa de “suposta prática de desobediência aos artigos da Lei 053/2001. Juridicamente, Advertência deveria ser o resultado – caso o acusado tivesse sido considerado culpado – do Processo Administrativo e não o contrário. Veja abaixo o Termo de Advertência:

Termo de Advertência, com data de 4 de fevereiro de 2009

O termo de advertência foi levado, via e-mail, ao conhecimento do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Roraima (Sinjoper), Gilvan Costa. Leia a íntegra do e-mail:

“Assunto: Advertido por denunciar as peripécias do Rui

Olá, Gilvan.

Fui advertido formalmente ontem (5) pelo todo-poderoso Rui Figueiredo, secretário de Comunicação Social do Governo.

No documento, ele aponta dois artigos, com três itens, da Lei 053, dos quais, discordo de dois, que discrimino abaixo:

Art. 109 – São deveres fundamentais do servidor:
IV – Ser leal ás instituições a que servir,

Discordo porque, desde que passei a integrar os quadros do Governo do Estado, lotado na Secom, em julho de 1998, ainda como Cargo Comissionado e depois, em abril de 2005, como servidor concursado, nunca deixei de ser leal à minha instituição, nunca deixei de fazer o meu trabalho, mesmo quando a Secom não oferecia o menor suporte, como deve ser do seu conhecimento que na última gestão Ottomar era normal a equipe de jornalistas do Palácio passar fome no interior. Hoje sou repórter da Rádio Roraima e, como tal, nunca deixei de cumprir com os meus deveres e obrigações para com aquela emissora. Aliás, deixei sim, na última sexta-feira (30), pela primeira vez, quando seguia com a equipe do Palácio para uma pauta com o governador no interior e o secretário-adjunto de Comunicação, Gustavo Abreu, ordenou que eu passasse o gravador para o repórter deles e descesse do carro, porque precisava levar outra pessoa.

Art. 110 – Ao servidor é proibido:
XII – Valer-se do cargo ou função para lograr proveito pessoal, ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública.

Discordo veementemente e desconheço qualquer ato que eu tenha feito em benefício próprio. Aliás, nem poderes para isso tenho. E, mesmo que tivesse, não faz parte da minha índole e ética esse tipo de coisa. Acho que é por isso que ainda precise trabalhar de manhã, de tarde e à noite para poder pagar as minhas contas e sustentar a minha família. Claro, dou Graças a Deus por isso.

Então, é isso, meu caro Gilvan. Achei importante comunicá-lo a respeito dessa Advertência e explicar que esse, na verdade é mais um capítulo da perseguição que venho sofrendo dentro da Secom do Governo, desde que decidi denunciar no meu blog (www.fatoreal.blog.br) as peripécias que o Sr Rui Figueiredo vem fazendo desde que assumiu a Secom, simplesmente porque não gosto de incompetência e não compactuo com coisa errada, ou imoral. Confesso a você que nunca me arrependi de um voto dado, como nesse caso.

Grande abraço

Wirismar Ramos – Jornalista de fato e de direito”

Incompetente, descuidado e negligente

Devido à sua ousadia, Rui Figueiredo porá o Estado em situação difícil, sendo obrigado a indenizar mais um servidor injustiçado. Uma rápida análise feita por uma advogada consultada por mim, revela as falhas cometidas por Rui Figueiredo, me presenteando com a real possibilidade de ganhar a ação. “O ‘termo de advertência’ que lhe foi passado pelo Rui Figueiredo é nulo de pleno direito, e passível de indenização por danos morais e petição por abuso de autoridade”, analisa a advogada.

Ela segue apontando que, conforme a Lei nº 053/2001, a pena de advertência é a modalidade de punição prevista no art. 120, I, regulamentada pelo art. 122.

“Art. 122. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 110, incisos I a VIII e XI, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave.”

“Essa pena (advertência), deve ser aplicada apenas após instauração de Sindicância Administrativa, caso o parecer da Comissão Processante seja pela condenação do servidor pela prática de uma das proibições do art. 110, I a VIII e XI. No caso em tela, o ‘termo de advertência’ foi aplicado sem a adoção dos procedimentos previstos em Lei, configurando-se o abuso. A Sindicância existe justamente para que se apurem os fatos, possibilitando os Princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A Comissão processante deve ser constituída por três pessoas, que sejam servidores estáveis (concursados)”, afirma a advogada.

Ainda de acordo com advogada, essa conduta do secretário de Comunicação também constitui abuso de autoridade, conforme a Lei nº 4.898/65, vejamos:

“Art. 3˚. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: (…) j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional”, e também “Art. 4˚. Constitui também abuso de autoridade: (…) h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal”.

Além disso, afirma a advogada, os artigos que constam no “termo de advertência”, não possuem previsão legal de penalidade de advertência. “O art. 109 é meramente explicativo, não existe punição para sua violação. E a pena para a violação do inciso XII é a de demissão, conforme art. 126, XIII, que só pode ser aplicada após Processo Administrativo Disciplinar (PAD)”, explica.

Como tudo começou

Enquanto jornalista de fato e de direito, sempre busquei exercer minha profissão com dignidade, respeito, ética e em defesa da moral e dos bons costumes, no combate às injustiças sociais e à corrupção. Enquanto servidor público, sempre cumpri com minhas funções com equidade, transparência e disciplina, mas intolerante às irregularidades ou desvios de finalidade dos agentes públicos – esse, na verdade, é o real motivo das perseguições que venho sofrendo.

Cabe aqui um parêntese para explicar como tudo começou. Afinal, tudo tem um motivo, uma explicação. A revolta do Sr. secretário Rui Figueiredo, e seu secretário adjunto, Gustavo Abreu, se dá pelo simples fato de eu não compactuar com o que de errado acontece neste Governo. O simples fato de ser servidor público não me obriga a ser conivente com as irregularidades. Há que, também, saber separar o servidor público (Agente de Comunicação, cargo de nível médio), do jornalista, que nenhuma obrigação tem com este Governo.

Devido a isso, venho sendo vítima de perseguição política e assédio moral há muito tempo, tendo meus direitos tolhidos criminosamente e impedido de exercer minha função na Rádio Difusora Roraima, que nada tem a ver com o que faço em meu horário de folga, em casa, ou em qualquer outro lugar diferente do ambiente de trabalho. Cabe ressaltar, no entanto, que mesmo diante de todas essas perseguições, nunca usei o blog FatoReal (nem sua versão impressa, semanal) como arma ou meio de vingança, mas tão somente com o intuito de combater a má gestão da coisa pública, de forma impessoal, independente de quem seja o chefe do Executivo.

O FatoReal foi criado em fevereiro de 2007, por uma necessidade que eu senti de me fazer ouvir. Explico melhor: além das irregularidades comuns cometidas por outros agentes do Executivo, às vésperas das eleições municipais de 2008, a Rádio Roraima era palco de diversas ações nefastas cometidas pelos então futuros candidatos aliados do Governo, que usavam a emissora como trampolim político.

Politicagem nas dependências da Rádio Roraima

Era comum, por exemplo, esses candidatos fazerem atendimento de pedintes nas dependências da emissora, dando-lhes inclusive dinheiro. Outra prática comum era o diretor da emissora, à época, usar o único carro que a rádio tinha para servir à administração e ao Departamento de Jornalismo para deixar esses pedintes em suas casas, independente da distância, alegando que estava fazendo uma ‘boa ação’.

Por diversas vezes, alertei o diretor da emissora que tais atitudes eram erradas, que ele poderia sofrer penalidades. Por causa disso, comecei a ser visto como ‘o reclamão’, ‘o chato’, ‘o cara do contra’, ‘aquele que vê maldade em tudo’. Foi então que decidi não falar mais nada, mas também não tinha mais clima para continuar na emissora, porque não me sentia à vontade em estar no mesmo ambiente onde tantas irregularidades estavam sendo cometidas.

Pediu para ser transferido para a então Assessoria de Imprensa e Comunicação (ASSIC), que mais tarde se tornaria Secretaria de Comunicação (Secom). Já na Secom, fui muito bem recebido devido à minha experiência profissional como jornalista. Entretanto, na Secom eu deveria exercer a função de Agente de Comunicação, para o qual sou concursado. Mas isso não aconteceu. O secretário decidiu que eu seria aproveitado como jornalista e que posteriormente ‘daria um jeito’ de conceder-me uma gratificação para que meu salário fosse equivalente ao do Analista de Comunicação – de nível superior –, coisa que nunca aconteceu.

Não pagamento de diárias

Passados alguns meses sem que a questão salarial fosse resolvida, também comecei a perceber outras situações que me incomodavam, como o não pagamento de diárias para os servidores da Secom que viajavam constantemente para o interior, enquanto pessoas que nem saíam de Boa Vista eram ‘contemplados’, inclusive com portarias publicadas no Diário Oficial do Estado (DOU).

A respeito desse assunto, cansado de tentar – sem sucesso – resolver a questão internamente, junto ao secretário, decidiu pedir a intervenção da primeira-dama Shéridan de Anchieta, minha ex-colega de faculdade e de trabalho na própria Assic/Secom. No dia 5 de dezembro de 2009 enviei e-mail para a primeira-dama, solicitando a intervenção dela quanto à questão – e-mail que nunca foi respondido, nem a questão resolvida até hoje.

Veja o teor do e-mail:

“Assunto: intervenção/diárias

Olá, Shéridan. Boa tarde.

Primeiramente quero parabenizá-la pela nova posição, como primeira-dama do Estado. Confesso que estou confiante de que o Estado de Roraima conhecerá novos tempos, a partir da administração do governador Anchieta Júnior e tenho esperanças de que sejam bons tempos.

Mas esse não o único motivo que me fez te contatar. Na verdade, gostaria de apelar para o seu bom senso até mesmo como jornalista que é e conhecedora da realidade do dia-a-dia da Assessoria de Imprensa e Comunicação.

Shéridan. Tô apelando para você porque não aguento mais ouvir tanta desculpa para justificar o não pagamento das nossas diárias. Isso é uma vergonha. Em todo o Governo, somente a Comunicação não paga diárias. Um direito garantido pela Lei Complementar 053 de 31 de dezembro de 2001. Não estamos pedindo nada além do que nos é de direito.

Estou no Governo do Estado desde o dia 1º de julho de 1998 e, até hoje, nunca recebi nenhum centavo referente a diárias, mesmo tendo feito no trabalho da melhor maneira possível, buscando sempre cumprir com as minhas obrigações na divulgação das ações de Governo. Como você vê, esse descaso com o jornalista da Comunicação não era mérito do Governo Ottomar, mas também é verdade que o governador Anchieta Júnior pode mudar o rumo dessa história, corrigindo essa injustiça.

No ano passado, tivemos uma esperança de que, finalmente, o Governo pagaria as diárias referentes a 2006 e 2007. O chefe do Deplaf da Comunicação, Fernando Matos, nos pediu o relatório de viagens feitas pela equipe de Jornalismo da Rádio Roraima, assim como da própria Assic.

Na Rádio Roraima, somos três repórteres, agentes de comunicação social: Aldenor Pimentel, Johann Barbosa e Wirismar Ramos. De minha parte, computei 15 de 2006 e mais 15 de 2007, totalizando 30 diárias. Aldenor tem oito e Johann 14 diárias não pagas.

Montamos todo o relatório e, assinado pelo diretor da emissora, Barbosa Júnior, enviamos para o Deplaf da Assic em 3 de outubro de 2007. Desde então, o que temos recebido do Deplaf são apenas desculpas e explicações que não convencem sobre os motivos de ainda não terem pago, haja vista que, de acordo com a Lei, diária deve ser paga antes da viagem do servidor.

No Diário Oficial do Estado do dia 06 de junho de 2007 foram publicas 15 diárias minhas referentes a uma viagem que fiz, juntamente com o fotógrafo Antônio Diniz, ao Baixo Rio Branco para acompanhar o desenrolar da Operação Marco.

Entretanto, sete meses depois, ainda não vimos a cor do dinheiro e nem nos dão nem esperanças de que vamos recebê-lo um dia. Da última vez que questionei Fernando Matos a respeito, ele simplesmente disse que o caso está na Procuradoria Geral do Estado para definir o que fazer, já que o governador Ottomar Pinto morreu. Fala sério!

Todos nós sabemos que a Assic, assim como o Governo do Estado, tem como pagar as diárias dos servidores que viajam passaram fome no interior, como aconteceu comigo por diversas vezes, para acompanhar o governador nas ações de Governo pelo interior.

Então, diante de toda essa “enrolação” que estão fazendo com a gente, apelo para a sua intervenção junto ao governador. Por favor, informe a ele o que está acontecendo e, se possível, mostre-lhe esse e-mail.

Não quero parecer leviano de fazer acusações sem provas, mas tive até informações de que a falta de dinheiro para pagar as nossas diárias aconteceu porque o recurso destinado para esse fim teria sido usado em benefício de outros servidores que nunca puseram os pés no interior.

Como disse, não tenho provas, mas aconselharia o governador a mandar fazer uma auditoria na Assic o mais depressa possível, porque se isso realmente for verdade e vier à tona, será uma dor de cabeça muito grande para administrar.

Agradeço antecipadamente pela sua compreensão e desculpe-me pelo desabafo.

Grato.

Wirismar Soares Ramos”

Quadro de diárias

Na esperança de serem ressarcidos das diárias não pagas, cada um dos três servidores concursados do Departamento de Jornalismo da Rádio Roraima montou um quadro detalhado e enviou à Assic/Secom em duas oportunidades – uma na gestão do diretor Geraldo França e outra já na administração de Barbosa Júnior. Veja abaixo o detalhamento dessas diárias devidas e não pagas pelo Governo a mim:

Demonstrativo de diárias devidas e jamais pagas pela Secom

As 15 diárias referentes à viagem ao Baixo Rio Branco chegaram a ser até publicadas no Diário Oficial do Estado (DOU) nº 594, do dia 6 de junho de 2007, página 11, mas até hoje não foram pagas. Veja:

“PORTARIA Nº 042/2007-ASCOM/UGAM

O SECRETÁRIO DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO DE RORAIMA, no uso de suas atribuições legais,

RESOLVE::
Art. 1º – Autorizar o deslocamento dos servidores ANTONIO CESAR SOARES DINIZ, fotográfo, WIRISMAR SOARES RAMOS, jornalista, em cobertura jornalística, na região de Santa Maria do Boiaçú, no Sul do Estado, no período de 03 a 18 de junho 2007.
Art. 2º – Esta Portaria entrará em vigor na data de sua Publicação.

Gabinete do Secretário de Imprensa e Comunicação, Boa Vista/RR, 01 de junho de 2007.

RUI OLIVEIRA FIGUEIREDO
Secretário de Imprensa e Comunicação do Governo do Estado de Roraima”

Desvio de gratificações e finalidades

Outra situação irregular que me incomodava, era o fato de umas pessoas serem contempladas com altos salários, ganhando inclusive gratificações que deveriam ser de outros servidores. Explico melhor: o diretor de jornalismo da Rádio Roraima, Marcus Elias Zouein, por exemplo, deveria receber uma gratificação a mais que o salário básico dele, por exercer a função. Mas esse servidor, pelo que consta, nunca viu a cor dessa gratificação, até hoje. Quem recebia essa gratificação era outra moça, que nada tinha a ver com a emissora.

Uma terceira situação ilegal mantida – inclusive até hoje – na Assic/Secom, que é de conhecimento público e pode-se ser conferida no site Transparência do Governo do Estado, é o fato de o secretário manter a mãe de um filho seu, fora do casamento, na folha de pagamento (F. T. de A., matrícula nº 020033214, função e cargo CDS, dados de setembro de 2011). Ou seja, ao invés de pagar pensão conforme manda a lei, o secretário preferiu conceder à mulher um salário de R$ 1,5 mil à época – hoje ela ganha mais de R$ 2 mil –, confundindo sua função pública com sua vida privada.

Esses são só alguns exemplos de irregularidades que me incomodavam na Assic à época e sobre as quais questionava. Entretanto, devido a esses questionamentos – que tinham o único objetivo de tentar ajudar a corrigir as injustiças e alertar para o perigo que poderiam causar ao Governo posteriormente –, passei a ser visto, também na Assic, como ‘do contra’.

Textos de alerta

Sentindo-me sem ambiente e desprestigiado para trabalhar na Assic, pedi novamente para voltar para a Rádio Roraima, já que havia também sido trocado o diretor que compactuava com as irregularidades na emissora. Mesmo diante de tudo isso, eu sempre soube separar o servidor do jornalista – como sempre agi em minha vida profissional – e mantinha em meu blog uma linha de apenas alertar o Governo para as irregularidades, os erros existentes, a fim de que não se transformassem em problemas futuros, conforme mostram os dois últimos parágrafos do e-mail enviado à primeira dama Shéridan de Anchieta.

“Não quero parecer leviano de fazer acusações sem provas, mas tive até informações de que a falta de dinheiro para pagar as nossas diárias aconteceu porque o recurso destinado para esse fim teria sido usado em benefício de outros servidores que nunca puseram os pés no interior. Como disse, não tenho provas, mas aconselharia o governador a mandar fazer uma auditoria na Assic o mais depressa possível, porque se isso realmente for verdade e vier à tona, será uma dor de cabeça muito grande para administrar.”

Outro exemplo que mostra a minha preocupação em alertar ao governador sobre as ilegalidades de seu Governo, está no final do texto “Rádio Roraima – a Fênix”, publicado no dia 2 de fevereiro de 2009 no blog FatoReal:

“Atenção governador! Acorde antes que seja tarde demais!! O seu inimigo não sou eu, como muitos têm dito ao senhor. Mas sim quem está ao seu lado, dizendo ser seu amigo, mas por trás mete a mão deslavadamente nos recursos do Estado, que são públicos. O Ministério Público vai ter acesso a esses documentos, cedo ou tarde. Caso nenhuma providência seja tomada com urgência, a coisa vai se complicar.”

Mas de nada adiantava. Com o tempo, percebi que não eram erros, ou equívocos, e sim ações planejadas, calculadas, realizadas em sã consciência. Mesmo assim, mantinha a linha de apenas alertar. Entretanto, tiveram início as perseguições contra mim. Vale ressaltar que eu nunca escrevi nenhum desses textos em horário de trabalho, nem nas dependências ou usando recursos da Rádio Roraima, muito menos da Assic/Secom.

Mesmo assim, as retaliações foram-se intensificando, sob o argumento de que, enquanto servidor público, eu não poderia, de forma alguma, expor minhas ideias contrárias ao Governo, mesmo que este estivesse errado. Esse tipo de atitude não tem nada a ver com lealdade ao ambiente ao qual o servidor está inserido, mas sim conivência com atos e ações ilícitas.

Enquanto servidor público, eu jamais deixou de cumprir com minhas obrigações e defender os interesses da Rádio Roraima – aliás, como faço até hoje. Mas as atitudes restritivas ao meu trabalho começaram cedo. No início, eu era responsável pelo Departamento de Jornalismo da emissora no período da tarde, cujas funções eram produzir e apresentar os informes da tarde a cada hora cheia, além de acompanhar os eventos/solenidades do Governo naquele horário.

A primeira retaliação veio quando o governador Anchieta Júnior assumiu o Governo após a morte do seu antecessor, Ottomar Pinto, em dezembro de 2007. Os informes da tarde foram suspensos e ao mim foi determinado que ficasse apenas com a ‘missão’ de cobrir a agenda do governador. Ou seja, caso o governador fizesse alguma ação, eu faria a cobertura e se não houvesse nada, permaneceria na emissora somente cumprindo horário.

Foi nessa época que aconteceu o que pode ser considerada a atitude retaliativa mais absurda. No dia 30 de novembro de 2009, eu fui impedido de fazer o meu trabalho pelo próprio secretário adjunto de Comunicação, jornalista Gustavo Abreu. Eu havia sido escalado para cobrir uma ação de Governo no interior e, para tanto, seguiria viagem com a equipe da Assic/Secom, como fizera diversas vezes anteriormente.

Ficou combinado, então que a equipe sairia do Palácio Senador Hélio Campos. Assim foi feito. No caminho, também subiu no carro Gustavo Abreu e assim, a equipe estava completa, podendo seguir a viagem. No entanto, inesperadamente e para a surpresa de todos, sob a alegação que iriam embarcar mais algumas pessoas mais à frente, Abreu mandou parar o carro e me disse para descer. Ainda pediu o gravador da rádio para que o jornalista do Palácio fizesse as entrevistas e no retorno o devolveria à Rádio.

Todos sabiam, no entanto, que ninguém subiria mais no veículo, que a equipe estava completa. Antes de Gustavo Abreu embarcar, aliás, uma moça que também estava no carro – a qual eu jamais vira antes – confessou que iria até a localidade do evento somente a passeio, a convite do secretário adjunto.

Posteriormente, veio a ordem do Palácio Senador Hélio Campos para que ‘devido ao perigo que o servidor representava’, eu ficasse somente com a incumbência de produzir os textos dos informes da tarde, sem poder apresentá-los. Outro locutor faria isso. O passo seguinte foi eu ser ‘orientado’ pelo meu chefe imediato, até de forma amigável, a nem os textos dos informes fazer, a ficar em casa, para não passar mais por constrangimentos.

Eu fui veementemente contra essa ‘orientação’, afirmando que continuaria produzindo os textos – que retratam somente a divulgação das ações de Governo –, mesmo que não fossem usados (coisa que faço até hoje). Como minha função ficou restrita apenas à produção dos textos (única atividade que me deixaram fazer), o diretor de jornalismo e o diretor-geral da emissora concordaram que eu poderia fazê-lo em qualquer lugar (não apenas no ambiente da Rádio), podendo enviá-los por e-mail. Foi nessa época que comecei a trabalhar, no horário da tarde, no jornal Roraima Hoje, mas sem jamais deixar de produzir o material da rádio, que enviava por e-mail – como faço até hoje, mesmo tendo deixado o jornal no final de setembro deste ano e estando todos os dias na emissora.

Conforme os textos de denúncia/alerta eram publicados no blog FatoReal, eu recebia cada vez mais retaliações. Em determinada ocasião, durante o encontro de governadores no Fórum Advogado Sobral Pinto, em Boa Vista, um policial militar foi colocado na portaria, com a determinação de ‘barrar’ e minha entrada, caso fosse cobrir o evento, independente de qual veículo estivesse representando. O constrangimento público só não aconteceu porque, felizmente, eu não havia sido escalado para tal evento.

Outra situação constrangedora aconteceu na noite do dia 3 de outubro de 2010. Como de costume em ano eleitoral, a Rádio Roraima faz toda a cobertura do processo, desde o início da votação até a apuração e divulgação do resultado final. Para tanto, precisa do envolvimento de toda a sua equipe. Eu fui, então, convocado para ajudar na divulgação dos resultados, fazendo parceria com Marcos Zouein no estúdio, a partir das 18h, no que atendi prontamente.

Cerca de meia hora após o início da divulgação dos resultados – não apenas de Roraima, mas de todo o Brasil –, chegou ao estúdio, vinda do Palácio Senador Hélio Campos, a ordem para que eu fosse tirado do ar e impedido de falar na emissora. A notícia foi-me dada diretor de Jornalismo, Marcos Zouein, demonstrando constrangimento e revolta.

O fato, aliás, foi comentado por mim servidor no Twitter (@wirismaRRamos), na mesma noite, momentos após deixar a emissora:

“Hoje aconteceu mais uma pilantragem comigo lá na Rádio Roraima. Mas seu Gustavo Abreu vai ter que explicar muita coisa.”

Com a proximidade das eleições de 2010, intensificaram-se as irregularidades no Governo do Estado, que passou a ser gerido como se fosse a própria casa do governador Anchieta Júnior. Como todas as regras e leis que tratam das obrigações, direitos e respeito entre o Executivo e seus servidores haviam sido quebradas para comigo, o meu lado jornalista falou mais alto, refletindo assim em matérias cada vez mais contundentes. Mesmo assim, as minhas obrigações enquanto servidor jamais deixaram de ser cumpridas.

Intimidações

No dia 2 dezembro de 2008, relatei no FatoReal um caso ocorrido um ano antes, para mostrar até que ponto o Governo do Estado havia perdido o senso do ridículo e o respeito pelas leis do país. Veja o texto:

“Liberdade de expressão, em Roraima não!

Há cerca de um ano, aconteceu um episódio que revoltou a imprensa roraimense de uma forma geral, mas poucos jornalistas tiveram coragem de se manifestar, com medo de represálias, por saber da visão que o Governo do Estado tinha a respeito da classe. Durante uma solenidade onde assumia o novo secretário de Estado da Segurança Pública, uma equipe da tv[bb] Caburaí (que havia sido convidada pela Assessoria de Imprensa do Governo) foi expulsa do local pelo chefe do Gabinete Militar.

Na época, poucas foram as manifestações da imprensa a respeito. Talvez porque grande parte dos veículos de comunicação do Estado e seus funcionários tenham algum tipo de vínculo com o Governo estadual, ou dependam dele para sobreviver numa economia onde o servidor público ainda é o maior detentor do poder de compra. Eu fui um dos poucos jornalistas a expressar indignação com a forma truculenta com que a equipa da tv Caburaí foi tratada.

Apesar de ser servidor público concursado do Governo do Estado, emiti minha opinião a um jornal local na condição de profissional da imprensa, usando o meu direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição Federal Brasileira e pela Lei de Imprensa em vigor no País. Um dia após a matéria ser publicada, fui chamado ao Gabinete do secretário ao qual sou subordinado e tive que ouvir uma série de platitudes, entre elas, que enquanto servidor público, eu não poderia falar contra o Governo e, dessa forma, eu estaria sujeito a responder processo administrativo, etc. Entretanto, demonstrando ‘complacência’, o secretário disse que estava disposto a me ‘perdoar’ pelo meu ‘grave desvio de conduta’ caso eu me ‘regenerasse’ e nunca mais voltasse a falar mal do Governo.

Me sentindo mais uma vez indignado, me controlei para não complicar mais a situação, mas disse ao secretário que estava convicto de que não havia cometido nenhuma falha e que caso ele achasse necessário, que poderia sim seguir com a ideia do processo administrativo. Disse isso já deixando o Gabinete.

Apesar das ameaças, como profissional atuante que sou, conheço os meus direitos e sei até onde devo ir. Diante disso, tenho como filosofia de vida não compactuar com nada de errado, ilegal, imoral, ou que beire à corrupção. Calar diante de um fato como o que citei no início é, no mínimo, concordar que o jornalista que critica, fala mal do Governo não tem direito de entrar no Palácio Senador Hélio Campos, sede do Governo de Roraima.

Diante de tudo isso, quero compartilhar com os meus leitores e amigos blogueiros as retaliações que venho sofrendo nos últimos meses pelo simples fato de ter denunciado e criticado desvios de conduta de algumas pessoas que, por serem do primeiro escalão do Governo, se acham acima da Lei. Como exemplo de retaliações, posso citar o fato de até hoje não ter recebido sequer uma diária, apesar de ter comprovado com farta documentação, as dezenas de viagens que fiz acompanhando o governador em suas ações pelo interior do Estado. Também tive as horas extras suprimidas mês passado como retaliação pelos artigos que tenho escrito aqui. Alguns membros do primeiro escalão ‘ofendidos’ pelos meus textos, que não admitem uma crítica sequer, ficaram ‘de mal’ comigo.

No mais recente episódio, o mesmo secretário que me ameaçou de processo administrativo tentou impedir esta semana que eu me aproximasse do governador para entrevistá-lo. Quem ele pensa que está prejudicando, a mim? Não sou ninguém. Sou apenas um profissional que prezo pela ética e bom senso, além de dar valor ao meu direito de livre expressão. Se me impede de entrevistar o governador, quem perde é ele que deixa de se comunicar com milhares de pessoas, eleitores, espalhados por todo o Estado.

Já disse isso aqui e ressalto que não sou contra o Governo do Estado, aliás, torço para que o jovem governador Anchieta Júnior consiga acertar os passos e faça uma gestão de acordo com os anseios da população. Sou sim e sempre serei contra quem acha que a Secretaria que administra é uma extensão de sua própria casa e não tem caráter nem competência suficientes para discernir o público do privado.

Aliás, para finalizar, segue abaixo um trecho do Wikipedia (www.wikipedia.pt) que traz o conceito de Liberdade de Expressão, de acordo com a Constituição Federal Brasileira:

‘A liberdade de expressão é um direito fundamental consagrado na Constituição Federal de 1988, no capítulo que trata dos Direitos e Garantias fundamentais e funciona como um verdadeiro termômetro no Estado Democrático. Quando a liberdade de expressão começa a ser cerceada em determinado Estado, a tendência é que este se torne autoritário. A liberdade de expressão serve como instrumento decisivo de controle de atividade governamental e do próprio exercício do poder. O princípio democrático tem um elemento indissociável que é a liberdade de expressão, em contraposição a esse elemento, existe a censura que representa a supressão do Estado democrático. A divergência de idéias e o direito de expressar opiniões não podem ser restringidos para que a verdadeira democracia possa ser vivenciada.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

V – o pluralismo político

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença

Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.’

Wirismar Ramos – da Redação”

Liberdade de expressão

Não são raras em Roraima atitudes como essa. Quando um jornalista escreve, ou se manifesta contra os abusos cometidos por alguma autoridade, logo é ameaçado e retaliado. Se este, de alguma forma é vinculado ao poder público, certamente perde o emprego e seu nome é achincalhado, colocado no topo da lista dos ‘inimigos do Estado’. Tais atitudes são um claro desrespeito aos artigos da Constituição Federal Brasileira de 1988, que tratam da Liberdade de Imprensa, como o art. 220 § 1º:

“Art. 220 — A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º — Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no artigo 5º, IV, V, X, XIII e XIV.”

Também para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), liberdade de expressão e liberdade de imprensa constituem direitos humanos fundamentais assim declarados no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Artigo 19 – Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.”

A liberdade de expressão é garantida constitucionalmente no Capítulo I (“Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”) do Título II da Carta Magna, intitulado “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”:

“IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

(…)

IX – é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença;

(…)

XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades
fundamentais.”

Já o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, adotado em resolução pela XXI Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 16 de dezembro de 1966 e ratificado pelo Brasil em 24 de janeiro de 1992, após ser aprovado pelo Congresso Nacional em decreto legislativo de 12 de dezembro de 1991, diz o seguinte em seu artigo 19:

“1. Ninguém poderá ser molestado por suas opiniões.

2. Toda pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, independentemente de considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, em forma impressa ou artística, ou qualquer outro meio de sua escolha.”

Também o artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos, o chamado “Protocolo de São José da Costa Rica”, aprovada pelo decreto legislativo nº 27/92, a carta de adesão do Brasil à Convenção foi depositada em 25 de setembro de 1992, cuja promulgação se deu pelo decreto presidencial nº 678, de 6 de novembro de 1992, adotada no âmbito da Organização dos Estados Americanos, a OEA, em 22 de novembro de 1969, e entrou em vigor em 18 de julho de 1978, após receber o número necessário de ratificações.

Dispõe o inciso I do artigo 13:

“1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.”

Veja também o que diz a Lei de Imprensa (Lei no 5.250, de 9 de fevereiro de 1967):

“Regula a liberdade de manifestação do pensamento e de informação.
Art. 27. Não constituem abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação:

(…)

III – noticiar ou comentar, resumida ou amplamente, projetos e atos do Poder Legislativo, bem como debates e críticas a seu respeito;

(…)

VI – a divulgação, a discussão e a crítica de atos e decisões do Poder Executivo e seus agentes, desde que não se trate de matéria de natureza reservada ou sigilosa;

(…)

VIII – a crítica inspirada pelo interesse público;

IX – a exposição de doutrina ou idéia.
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II a VI deste artigo, a reprodução ou noticiário que contenha injúria, calúnia ou difamação deixará de constituir abuso no exercício da liberdade de informação, se forem fiéis e feitas de modo que não demonstrem má-fé.”

Pedidos de licença negados

Diante de tantas perseguições, eu decidi, então, pedir licença de minhas funções em duas oportunidades “para tratar de interesse particular”, sem remuneração, conforme o Art. 85 da Lei Complementar 053/2001. Da primeira vez, o pedido de um ano de licença (feito no dia 21 de março de 2011) foi negado pelo secretário Rui Figueiredo no dia seguinte, sob a alegação de que a Secom estava com carência de pessoal. Entretanto, todos que conhecem a realidade daquela pasta sabem que isso não é verdade, haja vista que o Governo tem em sua folha de pagamento mais de 30 jornalistas – entre efetivos e cargos comissionados –, além dos 25 agentes de Comunicação Social.

O primeiro pedido de licença foi negado, sob a falsa alegação de que a Secom estava com carência de pessoal

Devido à negativa, eu protocolei novo pedido um mês depois, no dia 20 de abril, desta vez solicitando licença por dois anos. Esse segundo requerimento até hoje não foi respondido, numa total falta de respeito para com o servidor e à Lei 053/2011.

O segundo pedido de licença nunca foi respondido

Alguns dias após isso, me atrevi a ir até o Palácio Senador Hélio Campos, conversar com Rui Figueiredo, que me recebeu sem demora. Minha intenção era tentar convencê-lo a assinar a minha licença não remunerada de dois anos. Me surpreendi com a receptividade e, diante do meu pedido, ele voltou negar, afirmando que tinha ‘planos’ para mim, para usar a minha competência em benefício do Estado.

Embora eu tenha deixado claro que desejava apenas a licença, o secretário disparou a falar, só me deixando sair de sua sala duas horas depois. Demonstrando um grande poder de persuasão – que comigo não funcionou –Rui Figueiredo argumentou que eu estava equivocado em trabalhar contra o Governo do Estado e que eu poderia ser ‘aproveitado’ em um novo projeto de comunicação social que ele estava elaborando.

Disse que ele já havia conseguido levar atrair profissionais e que o meu perfil se encaixaria muito bem nesse novo projeto. Disse que já agendara algumas jornalistas consideradas ‘da oposição’ para conversar com o governador Anchieta Júnior – e aí citou duas profissionais da Folha de Boa Vista – e que, se eu quisesse, faria o mesmo comigo. Rui Figueiredo ainda me ofereceu gratificações e a possibilidade de assumir uma Assessoria de Comunicação do Governo, a troco de não escrever mais denúncias contra o Governo.

Embora eu tenha deixado claro que não tenho interesse em nada do que este Governo possa me oferecer, Rui Figueiredo insistiu em agendar uma audiência minha com o governador Anchieta Júnior, para a segunda-feira seguinte, pela manhã. “Não tenho nada para conversar com o governador. A única coisa que quero, você, enquanto secretário de Comunicação, pode resolver, sem ser preciso incomodar o governador, que é assinar a minha licença não remunerada de dois anos”, respondi, antes de deixar a sala sem ter alcançado o meu objetivo.

Que a justiça seja feita

Essas são as verdadeiras razões de o secretário de Comunicação do Governo de Roraima, Rui Figueiredo, e seu adjunto, Gustavo Abreu, terem tanta vontade de me ver na pior. Mas no final, a justiça prevalecerá. A liberdade de imprensa e de expressão da verdade serão preservadas, sob a luz da legislação brasileira vigente, assim como os direitos constitucionais dos servidores públicos pertencentes aos quadros do Governo do Estado de Roraima dispostos na Lei Complementar 053/2011.

Por tudo o que foi dito, reforço aqui o compromisso firmado comigo mesmo, até por uma questão de honra, que representarei contra o Governo de Roraima, em especial a Secretaria de Comunicação Social e seu representante, por ter sofrido assédio moral e perseguição política ao longo dos últimos quatro anos.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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17 comentários sobre “SECRETÁRIO OU DITADOR? – A ordem é perseguir quem contestar”

  1. E=mc2 disse:

    É por esse e outros motivos caro amigo Wirismar, que continuamos a guerra contra esse tipo de vagabundos. Compram quase todos, mas o que restam irão enfrentá-los em todas as oportunidades. O governador cassado e seus puxa-sacos, não encontram o que fazer contra a sua pessoa e partem para a ignorância jurídica. Creio que todos já perceberam que “pensar”, no sentido de raciocinar, não faz parte do dia a dia desse desgoverno dos corruptos. Eles simplesmente oferecem alguma vantagem pecuniária aos seus alvos, calando a boca de muitas autoridades venais. Em certas esferas dos poderes legalmente constituídos e em outros que se denominam verdadeiras instituições que defendem e fiscalizam (isso é o que está na Lei) o patrimônio que nos pertence, a tática de aproximação e oferta de vantagens tem funcionado. Fazemos parte da plateia que assiste e compreende todos os subterfúgios e manobras evasivas usados para conter a aplicação do que o Estado Democrático Constitucional de Direito chama de norma, regra, lei, comando normativo ou qualquer coisa que seja sinônimo de ORDEM!

  2. antonio santos disse:

    vergonhosa a atitude do Rui Wirismar, mas nao se incomode, demitir o Amilcar, perseguir e da falta para vc, processar vários jornalistas durante a campanha, sao coisas que o Rui pode até nao concordar, mas se nao fizer perde o cargo, neste caso ele prefere agir como um grande ….. deixa pra la…. do que fazer as coisas como manda a lei. Lamentavel. Minha esperança é que este desgoverno acabe logo e quando esse pesadelo acabar os criminosos comecem a pagar pelos seus crimes. O quanto antes.

  3. TENGARECÓ disse:

    Wirismar,O clima de perseguição desse Governo está Generalizado,Pois tenho conhecimento que servidores de outras secretarias estão passando pela mesma perseguição,Como Eles não tem Direção de nada a ordem é perseguir, os servidores perseguidos deveriam procurar o Ministério Publico Estadual e Formalizar a Denuncia. ASSÉDIO MORAL.

  4. Laís Fernanda Xavier disse:

    Ei Antonio Santos, não venha dar uma de inocente e achar que o Rui Figueiredo cumpre ordem pra perseguir as pessoas, que não é assim não. Na verdade, há um grande conluio entre os que ocupam as altas cadeiras do secretariado do governo, juntamente com o governador, de perseguir quem os incomoda. Esse pessoal parece que quer implantar uma ditadura em Roraima, e infelizmente estão conseguindo. E o Rui faz essas coisas com gosto, e não porque se não fizer perde o cargo. Inclusive dizem que ele caga e anda para o governador, porque tem ele nas mãos com um tal dossiê com todas as merdas que o anchieta fez ao longo desses anos, que podem colocar ele na cadeia. Isso não sei se é verdade, mas a PF bem que podia dar um belo baculejo na casa dele, na seretaria e nos computadores dele, pra ver se é verdade mesmo.

  5. Patrícia disse:

    Interessante o Wirismar não poder tirar licença não remunerada pelo argumento de carência de servidores e continuar lotado na rádio roraima (sem ofensa) sem nada pra fazer… ASSÉDIO MORAL COMPLETO E CONFIGURADO!!!
    Wirismar, acione a Justiça…

  6. Patrícia disse:

    E o Rui se vangloria de ter cinco cursos superiores, incluindo Direito. Nossa, o grande jurista RUI BARBOSA deve estar se revirando no túmulo uma hora dessas, de saber que uma pessoa com o mesmo nome que o seu pega o diploma pra fazer tudo o que contraria o Estado Democrático de Direito.

  7. Odair Gonçalves disse:

    Curioso como todo mundo que fala a verdade ou quer realizar um trabalho bem feito e competente nesse estado sob o comando desse Kadaffi de Anchieta Júnior é considerado “perigoso”.
    Aqui em Roraima tem predominado a cultura da mediocridade.

  8. dias melhores disse:

    Amigo WIRISMAR, vc já deveria ter entrado na justiça. Dinheiro pra pagar indenização é o que não falta para eles.!!!!!!!

  9. José Maria Jesus disse:

    Não é só vc Wirismar q está sofrendo perseguição, tbm estou na mesma situação q vc, por não concordar com as atitudes de gestores incompetentes, q colocam de escanteio pessoas competentes, e dão o lugar à pessoas q não entendem nada da parte burocrática da Secretaria. Nunca tivemos um Governo tão PERSEGUIDOR e CORRUPTO como este.

  10. Antonio disse:

    Esse governo é sim ditador,inclusive na PM,fazem uma tipo de seleção para alguns policiais fazerem curso fora e passam um ano fora,esse curso se chama BEPE,muitos policiais fazem o teste que é de aptidão física,alguns conseguem índices altos e ficam aptos a ir fazer o curso,mais pasmem,ficar apto no teste físico não é suficiente,pois,quem escolhe que vai fazer o curso é o senhor CMT geral,aí não adianta passar nos testes físicos,tem que ser “peixe” do CMT Geral.

  11. Junior disse:

    ALERTA GERAL! Fiquei sabendo que a nova ordem desse governador é botar a Polícia Civil e a Polícia Militar pra armar contra quem faz oposição, com flagrante forjado, investigação forjada, etc…
    Me recuso a acreditar que a Polícia vai se prestar a um papel sujo desse, mas com esse comando sujo não duvido nada que seja verdade. Tem delegado querendo botar pra lascar com outros delegados e outros policiais que se posicionam contra esse desgoverno, e botar pra lascar também com quem tem destaque e é contra esse desgoverno. FIQUEM ATENTOS…

  12. Augusto Rangel Silva disse:

    ESSE GOVERNADOR É UM MOLEQUE ARROGANTE, IGUAL A TODO MUNDO QUE ESTÁ DO LADO DELE. NÃO TEM COMPETÊNCIA PRA MOSTRAR ENTÃO PRECISAM FICAR PERSEGUINDO QUE SE POSICIONA CONTRA ESSA PODRIDÃO E INCOMPETÊNCIA.
    A ORDEM É BOTAR NA RUA QUEM É CONTRA, E QUEM É CONCURSADO A ORDEM É ARMAR ALGUMA COISA JUNTO COM A POLÍCIA, PRA PODER BOTAR NA RUA. SE CUIDA.
    AGORA EU QUERO É SABER PORQUE O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO FISCALIZA AS CONTAS PÚBLICAS, IGUAL AQUELE PROMOTOR FEZ NO NORDESTE, QUE MOSTROU ONTEM NO FANTÁSTICO.

  13. Já não sei a quem pedir socorro se a Deus, ou ao Diabo,pois o que vem acontecendo neste Estado é um verdadeiro abuso de poder político e financeiro. Infelizmente o poder do dinheiro está roubando a dignidade humana e no caso do senhor Rui não está sendo diferente, uma vez que este é capaz de vender a alma ao Diabo para sempre está ao lado de governantes corruptos um verdadeiro capacho a serviço da maldade e da corrupção.

  14. Luck disse:

    Roraima não merece isso!!!!

  15. Antonio Diniz disse:

    Eu tanbém não recebir essas diárias,estou com vc Wirismar,vamos enfrentar esses que dizem que não persegue.mas na verdade são carniceiros,sem postora,carater,só sabem mentir discaradamente,se veio acontecer a minha saida da SECOM,vc Ruim teve a sua colaboração,obrigado,mais o tempo é o senhor da razão.

  16. [...] disso, Rui Figueiredo continua secretário, ganhando seus quase R$ 30 mil de salário, perseguindo seus ‘colegas’ de profissão, criando e fomentando perfis falsos nas redes sociais para atacar seus desafetos e semeando a [...]

  17. [...] é de conhecimento público e pode ser conferida no site Transparência do Governo do Estado -, é o fato de o secretário manter a mãe de um filho seu, fora do casamento, na folha de pagamento (F. T. de A., matrícula nº 020033214, função e cargo CDS, dados de [...]

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Israel Dantas

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