O ano de 2011 está bem perto de acabar. Mas, politicamente falando, ele já está morto e enterrado, com o triste recorde do governador cassado duas vezes no período de onze meses. Afinal, a decisão final sobre a cassação só será tomada em 2012, para onde os olhares estão voltados a partir de agora.
Resta lembrar que foi um ano muito difícil, pois vivemos uma instabilidade política gerada por um governo que venceu as eleições por uma pequena diferença de votos e que passou a responder a três dezenas de ações pedindo sua cassação, com duas delas com o pedido concretizado.
Em outras palavras, passamos o ano em um Estado administrado por um governador no fio da navalha, acossado por denúncias de corrupção e por ações judiciais que resultaram em cassação, o que significa um governo sendo administrado com um punhal no pescoço, tendo que ceder a pressões e a cobranças de aliados venais que se aproveitaram da situação.
Sem experiência política e sem tato para lidar com a realidade complexa, principalmente porque provou que não é político nem tem aliados leiais, o governador precisou lotear sua administração nas mãos de velhas raposas, que estão sugando as últimas gotas antes que a Justiça Eleitoral possa dizer: “Você e seu grupo estão fora”.
Precisando acomodar aliados vorazes e necessitando de apoio para uma governabilidade que nunca vingou, as secretarias foram colocadas nas mãos de gente que já provou em repetidos governos que não são competentes para mudar a realidade do Estado.
Sem esquecer das secretarias extraordinárias, as quais têm como único objetivo acomodar aliados ou nem tão aliados assim, mas que se tornaram “arquivos” importantes. Pastas estas servindo tão somente para sangrar ainda mais o Estado que não consegue caminhar firme porque faltam recursos.
Nos municípios, de uma forma geral, a realidade não é muito diferente, com destaque para a Prefeitura de Boa Vista que se viu enredada em uma de suas piores crises, inclusive com demissões e cortes salariais. As demais, que já não caminhavam bem, somente seguiram suas tristes sinas.
Enfim, as apostas dos roraimenses estão com todas suas fichas votadas para as eleições de 2012, quando o eleitor promete ir à desforra, pelo menos da boca para fora e nas redes sociais. Lembrando que quem vota tem sua parcela de culpa diante dos repetidos escândalos de venda de voto.
Essa realidade negativa que se abateu sobre o Estado em 2011 só será superada quando mudar a forma de fazer política. Enquanto houver compra escancarada de votos, continuaremos na instabilidade política, com a eleição sendo decidida no chamado “terceiro turno”, tornando a Justiça Eleitoral o centro das decisões mais importantes na política.
Significa dizer que, se quisermos sair desse buraco, a missão é de todos, do eleitor ao político. Ou mudamos esse comportamento corrupto e corruptível, ou ainda continuaremos pagando um preço muito caro.
JESSÉ SOUZA – jornalista – Fonte: Folha de Boa Vista
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perfeito diagnóstico..
- vale apenas lembrar caro amigo que a justiça tem que valer para todos! quando essa diz que é crime vender e comprar votos em uma campanha eleitoral, nunca vimos se quer um cidadão ser citado em processos por venda de voto. quando a justiça começar a comprir com sua missão ai sim comesaremos a ver mudanças na sociedade.