SALVANDO VIDAS – Pela primeira vez, equipe do HGR realiza captação de órgãos

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Há 15 dias foi realizado primeiro procedimento, por uma equipe de fora; segunda captação contou com equipe 100% local

Próximo passo é realizar transplantes de órgãos no Estado / Foto: Secom/Gov.RR /

A madrugada desta segunda-feira (12) teve a prova de que a doação de órgãos é uma corrente do bem. Quinze dias após a primeira captação realizada em Roraima, outra família se sensibilizou e também disse sim para a doação. A novidade é que desta vez, o procedimento foi realizado integralmente por uma equipe do HGR (Hospital Geral de Roraima) e os órgãos enviados em um voo comercial para São Paulo.

Um acidente de trânsito tirou a vida de um homem de 59 anos na manhã de sexta-feira (9). Após confirmação da morte cerebral, a equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) apresentou a possibilidade da doação e a família autorizou.

Mesmo tendo a possibilidade de declinar da decisão, os familiares se mantiveram firmes, para não tirar a esperança de duas pessoas que seriam beneficiadas com um rim cada. Se correr tudo bem, estas pessoas não serão mais dependentes de hemodiálise (filtração do sangue por meios artificiais) para viver. Os pacientes beneficiados são indicados a partir de uma lista da Central Nacional de Transplantes

O secretário Estadual de Saúde, Marcelo Batista, pontuou que o HGR vem sendo estruturado para que, em breve, possa realizar não só a captação, como o transplante. “Menos de um mês após a primeira captação de órgãos realizada em Roraima, tivemos mais um avanço, com o procedimento realizado 100% por uma equipe do HGR. Agora o nosso próximo passo será realizar os transplantes aqui no Estado”.

Com envolvimento direto de cerca de 20 pessoas na sala de cirurgia, liderados pelos urologistas Levindo Oliveira e Marlon Mattos, o procedimento para captação dos órgãos iniciou por volta das 20h30 e durou cerca de duas horas e meia.

A equipe seguiu para o Aeroporto Internacional de Boa Vista, para encaminhamento do órgão por meio de um voo comercial para São Paulo, onde o horário previsto para chegada era às 7 h (horário local).

Segundo o diretor geral do HGR, Samir Xaud, o empenho da equipe do Hospital foi fundamental para o procedimento e a família teve um papel muito importante, pois, além de autorizar a doação, contribuiu de todas as formas possíveis para a ação. “A equipe do HGR, que não mediu esforços para concretizar a captação”, disse, ao parabenizar o procedimento executado.

PARCERIA

O processo é complexo e precisa que várias coisas deem certo para que a doação seja concretizada. Como o óbito foi por acidente de trânsito, o corpo teria que seguir para o IML (Instituto Médico Legal) para realização dos trâmites legais.

Para garantir o sucesso do trabalho, a equipe do Instituto foi ao HGR e realizou todos os procedimentos na própria unidade, em uma verdadeira demonstração de trabalho em equipe e parceria.

“São gestos como estes que demonstram o quanto o trabalho em equipe é importante para que a doação dê certo”, explicou a enfermeira da Cihdott, Ana Paula Machado.

Autorização da família é principal requisito para doação de órgãos

O passo principal para alguém se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. “Sempre torcemos para que ninguém morra, mas quando isso é inevitável, queremos que outras vidas sejam salvas”, pontou Ana Paula.

O processo de doação funciona da seguinte forma:

Autorização

Após o diagnóstico de morte encefálica, a família é consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. Depois de seis horas de atestada a falência cerebral, o potencial doador passa por vários testes clínicos para confirmar o diagnóstico. Em seguida, a família é questionada sobre o desejo de doar os órgãos.

Mensagens por escrito deixadas pelo doador não são válidas para autorizar a doação. Por isso, apenas os familiares podem dar o aval da cirurgia, após a assinatura de um termo. De acordo com o Ministério da Saúde, metade das famílias entrevistadas não permite a retirada dos órgãos para doação. Por isso, é importante conversar com a família ainda em vida para deixar claro esse desejo.

Captação

De um mesmo doador, é possível retirar os seguintes órgãos para transplante: coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele e ossos. Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos de um mesmo doador.

Na Central Nacional de Transplante, os dados informatizados do doador são cruzados com os das pessoas que aguardam na fila pelo órgão para que o candidato ideal, conforme urgência e tempo de espera seja encontrado em qualquer parte do País.

Os profissionais envolvidos no processo trabalham em contagem regressiva para não ultrapassar o tempo limite para a retirada dos órgãos e também para a preservação dos mesmos durante o transporte.

Transporte

Quando a doação é entre pessoas de Estados diferentes, o Ministério da Saúde viabiliza o transporte aéreo dos tecidos e órgãos. A pasta tem um acordo voluntário de cooperação com companhias aéreas para assegurar o translado. As empresas transportam os órgãos gratuitamente em voos comerciais, ou isso pode ocorrer com emprego da Força Aérea Brasileira (FAB).

Recuperação

Após o transporte, a unidade recebedora precisa confirmar se o órgão foi transplantado com sucesso e se não, explicar os motivos. Depois de transplantado, o paciente tem um pós-operatório semelhante ao de outras cirurgias.

A estimativa do Ministério da Saúde é de que a sobrevida dos pacientes depois de cinco anos da cirurgia é de 60% nos casos de transplante de fígado e pulmão; 70% para cirurgias de substituição do coração; e 80% para os transplantes de rim.

DA REDAÇÃO

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